Quando
o dinheiro é sinónimo de felicidade e a sua
falta se traduz em desamparo e
carência afectiva, a vida torna-se numa
autêntica tragédia.
Muitos
são os motivos que levam um determinado
indivíduo a gastar: necessidade,
diversão, as modas, a importância, o status
e o consumismo.
Mas há quem consuma pelo simples prazer de
comprar, de adquirir alguma coisa
independente da sua utilidade ou
significado.
O acto de comprar indiscriminadamente é uma doença chamada oneomania, que atinge as pessoas caracterizadas como compradoras compulsivas. A oneomania é um distúrbio bastante controvertido do ponto de vista psiquiátrico e psicológico.
Considera-se a oneomania uma doença obsessiva-compulsiva. É na realidade um distúrbio do controle dos impulsos.
Oneomania atinge principalmente o sexo feminino.A proporção é de quatro mulheres para cada homem com a doença.
A
causa da neomania ser mais comum em
mulheres, está em relação provável com
condições culturais.
A doença está muitas vezes associada a
transtornos do humor e da ansiedade, a
dependência de substâncias psicóticas
(álcool, tóxicos ou medicamentos) ou
transtornos alimentares (bulimia, anorexia),
e mesmo de descontroles de impulsos.
A
oneomania também emerge para aliviar os
sentimentos de grande frustração e revolta,
vazio e depressão. É um desejo de possuir,
de ter, poder, que fica reprimido.
Quando não se consegue realizar um desejo, a
doente inicia um quadro de grande ansiedade
e angústia que a impulsiona
descontroladamente à posse de bens e
objectos novos como única forma de prazer e
controlar o seu grande mal
estar.
Os
oneomaníacos têm o consumo como vício, assim
como o alcoólico pela bebida. Enquanto
compra, a doente sente alívio do mal estar e
prazer.
Logo depois, inicia novamente a
sintomatologia ansiosa que a leva ao acto
compulsivo em gastar.
A acção do acto da comprar é semelhante ao
da toma duma droga.
Em
baixo o relato típico do oneomaníaco:
Nós sabemos que é uma doença que é
difícil melhorar, piora com recaídas
frequentes. É uma doença progressiva, com
cura difícil, mas pode ser detida.
Muitos
devedores compulsivos acham-se pessoas
irresponsáveis, moralmente fracas, e por
vezes “Más”.
A verdade é que o devedor compulsivo é uma
pessoa realmente doente que se pode
recuperar caso se deixe orientar por um
programa simples, que tem provas clínicas de
ser um sucesso para muitos que se deixaram
tratar.
"Como devedores compulsivos, nós enquadramo-nos em padrões de gastos que não satisfazem as nossas necessidades reais"
"Alguns de nós deixamos de pagar muitas vezes as contas e dividas, mesmo quando possuía-mos o dinheiro para as pagar"
"Muitos de nós têm simplesmente ignorado as dívidas por algum tempo, na esperança de que, de alguma maneira, elas possam ser pagas milagrosamente. Outros têm sido gastadores compulsivos, comprando coisas de que não necessitam, e nem querem"
"Quando nós nos sentimos carentes, ou que,
algo nos falta então gastamos dinheiro
naquilo que não podemos pagar. Nós gastamos
compulsivamente, entramos em dívidas,
sentimo-nos culpados, prometemos que nunca
faremos isto de novo, e apenas repetimos o
mesmo ciclo na próxima vez que o sentimento
de --não sermos suficientes-- volte"
"Alguns de nós têm-se tornado empobrecidos compulsivos, permitindo-nos ficar frequentemente sem dinheiro, batalhando de uma crise financeira para outra"
"Há ainda alguns de nós que acham quase impossível gastar dinheiro consigo mesmos. A televisão estraga e fica estragada, aquele par de sapatos, pronto para ir para o lixo, é obrigado a rodar mais um ano ainda, e mesmo problemas de saúde e dentários que não são cuidados"
"Esta doença afectou a nossa personalidade e do mundo que nos rodeia. Ela levou-nos a acreditar que não éramos “suficientes” - em casa, no trabalho, em situações sociais, nos relacionamentos amorosos. Ela também nos levou a crer que não há o suficiente no mundo lá fora para nós. Esta doença criou uma sensação de pobreza em tudo o que fazíamos e víamos. Como consequência disso, nós recolhíamo-nos para um mundo de fantasias, ficávamos preocupados com dinheiro, evitando responsabilidades"
"Muitos de nós antes de ser-mos abordados pelo Médico e Psicólogo, sentiamo-nos já desorientados, por muitas perdas: falta de salário, que tinha sido engolido por dívidas e gastos compulsivos; perda de fé; perda de respeito próprio e paz de consciência; perda de amizades; e algumas vezes de saúde, emprego e família"
"Muitos de nós procuramos ajuda de vários
indivíduos ou organizações, mas sempre
ficávamos com a sensação de que ninguém
entendesse o nosso real problema. A nossa
solidão fez com que nos escondesse-mos mais
e mais em nós mesmos. Nós perdemos a
vitalidade e o interesse na vida"

"Já não podíamos trabalhar ou cuidar de nós mesmos ou de nossos entes queridos apropriadamente"
"Alguns de nós achava que estávamos a ficar loucos e outros chegaram a contemplar o suicídio. Esse senso de desespero, ou “chegar ao fundo do poço”, foi nosso primeiro passo para procurar serviços médicos de psiquiatria e psicologia. Via-mos na realidade que as tentativas de esquematizar e manipular as nossas vidas nunca funcionaram. Admitimos que éramos impotentes perante as dívidas"
Essencial para o controle desta doença é a
organização financeira. Saber quanto se
ganha e quanto se gasta é importantíssimo
para o controle.
O tratamento Psiquiátrico e Psicológico de
apoio é chave para o tratamento.
